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  • Foto do escritorEmerson Feitosa

Para onde estamos olhando? - (João 4.32-35)

Jesus estava em uma viagem de volta a Galiléia e nos diz João que para Ele era necessário passar por Samaria, pois tinha um grande propósito em uma pequena aldeia chamada Sicar, um povoado com quase mil habitantes. Ao chegar, seus discípulos foram a este vilarejo comprar comida enquanto que o Mestre os aguardou em um poço, que era chamado, Poço de Jacó, ali uma mulher desconhecida de Jesus estava a tirar água. No diálogo Jesus conseguiu de dentro inúmeras verdades libertadoras e, o impacto de sua conversão fora tão forte que imediatamente ela tratou de promover uma cruzada de evangelização, onde 100% da sua cidade ouviram a mensagem de Jesus e muitos creram nele. Seus discípulos ficaram admirados quando chegaram, e ao se alimentarem convidaram Jesus a fazer o mesmo, já que o Senhor estava a ensinar as pessoas que vieram ter com Ele.

Os discípulos se indignaram e tentaram convencê-lo, mas sua resposta os deixou perplexos. Disse Jesus:


“A minha comida é fazer a vontade daquele que me enviou e fazer a sua obra. Não dizeis vós que ainda restam quatro meses para a ceifa? Eis que vos digo: levantai os vossos olhos e vedes as terras que já estão brancas para ceifa.” (Jo 4.34,35)

Ambos estavam na mesma viagem, servindo aos mesmos propósitos, estava aprendendo de Jesus diariamente, entretanto as visões eram diferentes. Jesus conseguia ver a oportunidade de salvar centenas de almas em sua frente, entretanto os discípulos só conseguiam as suas próprias necessidades. Caminhavam com Jesus, mas não via o que Ele via. Comiam com Jesus, mas não conseguiam sentir o que Ele sentia. Durante muito tempo foram ministrados, mas não conseguiram absorver sua visão. Por isso Jesus disse: “Levantai os vossos olhos e vede.”

O que nós estamos vendo hoje? Não parece que somos diferentes dos discípulos. Basta olharmos em direção do contexto evangélico em nosso país e percebemos a distância da visão de Jesus:



Estamos preocupados mais com nossa reputação do que a grandeza do reino.


Nunca houve um tempo, ao menos na história cristã brasileira que se preocupasse tanto com o marketing pessoal e a reputação diante da opinião pública quanto agora. Para muitos, pouco importa o que pensa Jesus acerca de tais assuntos, mas sim o que determinado assunto contribuirá para o “ibope” pessoal diante da mídia cristã. A igreja midiática, o que mais cresce em nosso tempo, ao passo que tem contribuído para a propagação do evangelho de Jesus, tem também ajudado e muito a polarização de cristãos nominais de vida de aparência, muita embalagem e pouquíssimo conteúdo, cheios de religiosidade, mas longe da prática da fé. Igualamo-nos aos meios seculares no que condiz a assuntos sociais e empresariais. A quem usa do poder para financiar seus prazeres pessoais, usam a massa evangélica como curral eleitoreiro, fazem da igreja meros movimentos de promoção social. Misturamo-nos meios de comunicação, postulando a pregação do evangelho, entretanto não medimos escrúpulos e nem esforços para tirar o horário de outro “companheiro” de ministério, mesmo que para isso seja necessário meio obscuro e baixo nível de politicagem para conseguir o que se almeja. O “eu” é a única coisa que mais tem peso. O poder de controlar organizações, igrejas, massas, público é disputado como no meio secular, quando na verdade da fé, deveria se orar e esperar no Senhor para que a escolha fosse unicamente dele. A igreja primitiva, nos assuntos mais comuns, aspirava e dependia do Espírito Santo para suas resoluções. (At. 15.20) Esse o tempo oportuno de procurarmos viver o exemplo do apóstolo Paulo que diz: “já não vivo mais eu, mas Cristo vive em mim.” (Gl. 2.20)



A maior parte de nosso tempo é gasto defendendo os dogmas de nossa denominação do que em busca de almas para o Reino.


Em uma análise simples, porém prática percebemos que gastamos o nosso tempo em maioria em questões político-religiosa, que para nada se aproveita do que em planejamento estratégico para expansão do Reino. Afirmamos ter a mesma visão, embora concordamos em uníssono com um conjunto de doutrinas bíblicas, divergimos em ideologias e costumes culturais. Não aprendemos nem a sermos unidos como corpo, quanto mais à padronização de costumes regionais. Por isso podemos dizer que nossa denominação não tem um só perfil nacional, pois o sul é completamente diferente do norte. Enquanto estamos nos digladiando tentando encontrar o culpado de tudo isso milhares de almas morrem diariamente sem ter tido a oportunidade de conhecer Jesus. Deveríamos sim, defender nossa denominação se ameaçada, sem nunca omitir o maior alvo de Jesus, a salvação dos perdidos. Se gasta milhões em campanhas e projetos de liderança nacional quando na verdade, poucos valores são dados ao que realmente importa, vidas.



Investimos uma boa parte de nosso patrimônio em projetos pessoais cujo Senhor do Reino nunca nos mandou fazer.


Esforçamo-nos para edificar prédios e centros luxuosos de convenções, instalações caríssimas para pequenos encontros anuais ao invés de financiarmos a propagação de evangelho de maneira massiva e abrangente nos países que realmente necessita. Há quem invista em grandes e lucrativas empresas postulando recursos que serão “destinados” aos campos missionários. Porém, na prática isso não acontece ao menos não integralmente, pois a maioria dos milhares de recursos levantados como que para o reino é realmente disposto uma pequeníssima, quase insignificante porcentagem.



Estamos engajados em uma batalha cristã de quem mais pode abrir templos na nação.


Ao observar as reuniões de culto em Atos dos Apóstolos, percebemos uma realidade distante da vivida em nossos dias. Não havia entre os apóstolos sentimentos de inveja ou ciúmes pelo sucesso do outro, ao contrário havia intercessão para que aquele que estava na direção fosse realmente usado por Deus. Ninguém da igreja primitiva brigou pela presidência da igreja em Jerusalém. Quando Pedro se levantou a pregar ninguém questionou sua autoridade para falar diante de todos. Hoje ao que parece entramos em uma grande competição de quem mais consegue plantar igrejas, não importando se existe evangelho em tal lugar ou não. Ao invés de somarmos com aqueles que já estão pregando precisamos como que abrir “franquias”, pois o negócio de igreja é realmente promissor. Grandes concentrações de fiéis, sermões acalorados, rostos marcados de simplicidade (nem sempre verdadeira) são mecanismos usados para apresentar alguns projetos ousados de expansão religiosa no país que desencadeia em campanhas a mais campanhas financeira no meio televisivo, na maioria delas sem escrúpulo algum, na busca ansiosa de plantar portas estabelecidas como igrejas em todo país. O anelo é poder demonstrar orgulhosamente a quantidade de templos na nação. Lugares onde existem inúmeras placas de denominações e a cada dia nasce outra nova. Nada contra a plantação de igrejas, mas o que é preocupante é a motivação por trás dessa idéia. Se de fato se abre igrejas em busca de almas, suponho que deveríamos seguir o conselho de Paulo, “anunciar a Jesus onde Ele ainda não fora anunciado”. (Rm. 15.20) Existe ao menos 60 países no mundo que possui uma igreja para cada milhão de habitantes, creio que é nesses lugares que os esforços devem ser concentrados, não em uma terra onde se disputa um membro como um programa disputa a atenção do telespectador. Será que hoje, Jesus não diria a nós a mesma coisa que disse aos discípulos?: “Levantai os olhos e vede os campos...”



Nossos olhos só conseguem ver os muitos campos floridos, mas poucos conseguem ver realmente os campos brancos.


Campos floridos! Nada mais animador do que caminhar em meio a uma paisagem de flores coloridas, borboletas diversas, brisa suave, é realmente confortador. Entretanto esse não é o cenário que Jesus nos ensinou a viver. Os campos brancos prontos para a colheita são habitados por lobos devoradores e famintos, por ovelhas corajosas que se arriscam a pregar no meio deles. Campos brancos estão repletos de pessoas machucadas, feridas e abandonadas pelos portadores das novas de salvação, cenas lamentáveis de corrupção e o mau cheiro do pecado. Sim os campos estão brancos justamente porque o mundo ainda clama por misericórdia. O que dizermos do continente Africano, mais de cinqüenta países que possui uma quantidade de evangélicos tão pequena que não é possível estimar sua porcentagem, com uma igreja para cada três milhões de habitantes. O que dizer da Índia, com mais de um bilhão de habitantes perdidos em meio a 300 milhões de deuses. E os países do oriente médio, do norte do mundo, da Oceania, e o que dizer dos milhões nos países asiáticos. Porque estamos preocupados apenas com a nossa nação, e esquecendo o resto do mundo. Existe cerca de quatro bilhões de motivos para desencadear um esforço massivo em prol do resto mundo, mas para que buscar o resto do mundo, se no Brasil é que se encontra o campo florido? Aqui se prega muito porque tem muito retorno. Abrem-se muitas igrejas porque elas são “lucrativas”. Poucas coisas enriquecem “líderes” como igrejas. A bondade, liberalidade de cristãos em todo país, movidos de paixão pelo evangelho, acreditando que está contribuindo realmente parra a promoção do Reino no mundo, tem sim feito a vida de muitos homens que um dia terão de prestar contas com o Senhor da Seara. E esse dia esta perto. É tempo de levantar os olhos e ver os campos brancos para a colheita, não apenas os campos que nos darão retorno financeiro, mas os campos carregados de almas algemadas pelo pecado e dominadas pela cegueira espiritual, quem os poderá livrar.



Vivemos em tempos de púlpitos enlameados pela corrupção de líderes religiosos, pregadores e cantores que fizeram do campo uma bolsa de valores.


De norte ao sul do país encontram-se pessoas frustradas e decepcionadas ao ouvir histórias lamentáveis de nomes famosos em incontáveis falcatruas e corrupção moral. O nível de comprometimento com a verdade tem sido durável até o momento em que não compromete a vida financeira ou status em que vive. Não poucos daqueles que pregam santidade possuem vidas contaminadas por prostituição em todos os níveis. Eu mesmo já estive em hotéis em algumas cidades desse país em me foram oferecidos serviços adicionais de acompanhantes, alegando o servidor que outros já se utilizaram desse serviço, logo não se sentia constrangido em oferecer tal coisa a outro pastor. Transformaram o ministério em carreira, igreja em público, púlpito em palco, oferta em cachês. Igualamos-nos ao perfil mundano a ponto de buscar inspiração musical lá fora, aceitando de forma suave a determinação do mundo que no comer ou vestir e até como cultuar.

Dias em que os verdadeiros homens de Deus são desprezados enquanto se valoriza os que não andam na verdade. Nesse tempo os filhos de Bar - Jesus é elite no mundo dos evangélicos, tempos em os filhos de Cevas por certo estariam em nossos púlpitos fazendo suas animações de platéia. Tempos esses que Elimas assumiria liderança e Alexandre o latoeiro seria conselheiro. (At. 13.6-9; 19.13; 2 Tm 4.14) Estamos vivendo os tempos em que Ananias e Safira são promovidos ao invés de serem disciplinados. É lamentável percebermos que chegamos a esse nível de cegueira espiritual. Já disse Jesus que o pior cego é aquele que não quer ver. Infelizmente alguns se tornam cegos pela falta de visão espiritual, isto é, o distanciamento daquele que tudo vê, a saber, o Espírito Santo. Outros vestem uma venda em seus olhos custeada por uma boa contribuição financeira, uma promoção ou mesmo o manter uma boca fechada. Que o Senhor nos faça comprar de seu colírio para vermos o que é certo, os campos brancos.



Por isso Jesus disse: vocês precisam absorver a minha visão.


Mas o que realmente importa? Que tal pensarmos que existe no mundo ao menos quatro bilhões de pessoas sem Jesus. Que o islamismo é a religião que mais cresce no mundo. Que o espiritismo foi à religião que mais cresceu no Brasil nos últimos dois anos. Que dizer de uma nação que afirma viver um avivamento, um crescimento exponencial do cristianismo, mas não consegue ter uma só visão reino de Deus: almas.

Que tipo de igreja que temos hoje que consegue ser vizinho de centros de macumbaria e boates sem fazer diferença alguma, eleger deputados e senadores que na maioria deles saem com a ficha de bom moço manchada pela corrupção. Que igreja é essa que acha que pode ganhar do maligno no grito, na revolução, na iniciativa barraqueira diante das mazelas da sociedade. Essa deveria ser a Igreja que levanta a bandeira do cristianismo, sim, mas aquela que é vista no viver, na prática diária de uma justiça celestial, coisa que seria muito mais fácil fazer se tão somente trouxéssemos o Reino de Deus através de nossa vida. Afinal isso foi que Jesus nos ensinou, viver o evangelho antes de pregá-lo.

Finalmente, vejo em alguns lugares dessa nação, pessoas anônimas comprometidas e se sentido responsáveis pela salvação de milhões de africanos, indianos, chineses e outros, pelo simples fato de que estes estão sem dúvida, em comunhão com Pai, pois somente sentiremos o que o Pai sente se estivermos junto dele. Logo, ver os campos brancos, como Jesus vê, só é possível se nossa vida estiver realmente em intima comunhão com Deus, mas isso é outra coisa, que se Deus quiser, faláramos depois. Levante seus olhos e veja os campos brancos, gemendo por vida em Jesus.

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