top of page

Independência ou morte

Tenho viajado por alguns países no continente africano e nestes, conversado com pastores, personalidades, líderes, comerciantes, cidadãos como um todo e, ao menos em cinco países observei que as respostas as minhas perguntas eram todas equânimes. Gente dos mais diversos níveis e tipos que destacam dentro deles um sentimento gigantesco de independência social, gente que conseguiu a custa de muito sangue derramado e lutas sem fim, alcançar o status de nação independente. Todos em uníssono sentem-se extremamente satisfeitos por serem países livres, não mais colônia, finalmente independentes. Independentes em sua economia, seu governo, suas decisões, suas guerras, seu desenvolvimento, enfim como um grito de liberdade escondido no peito africano ao longo de cinco milênios. Porém notei que embora a independência gere entusiasmo no coração do africano e suas palavras parecem mostrar que realmente são livres, na prática não é bem assim. A independência político social veio, aconteceu e se tornaram países depois de séculos de colônia. Só que essa independência é apenas política, porque o africano em si continua com suas mentes cativas ao sistema colonial. Dependentes de cada centavo de outras nações, da ajuda humanitária e investimento sócio econômico, que na verdade é mais que obrigação das nações desenvolvidas, pois grande parte de sua força se deu pela exploração sem fim das terras e da gente africana. Milhões de pessoas “livres e independentes”, porém, escravo de uma cultura intolerante, da miséria, da corrupção, da seca, da fome, do pecado. Por mais que buscam sua independência continuam sendo escravos. As nações que subjugaram a África os ensinaram ao longo de milênios a depender de tudo para sobreviver. Isso gerou no coração de cada africano um desejo incontrolável de ser independente, uma vez que homem nasceu para ser livre. Porém o maior pecado causado pelos dominadores não foram as mortes e a pobreza, mas o aprisionamento de suas almas. Almas africanas que embora livres, sentem-se na condição de escravos. Independentes politicamente, porém completamente dependentes de ajuda, mas, a tristeza é que nunca foram ensinados a depender de Deus, mas sim de seus exatores. Não há crime maior do que privar o ser humano do conhecimento de Deus. Uma vez que esse conhecimento lhes fora retido os aprisiona o espírito, encarcera a alma e limita o sentido da fé. Milhões de pessoas procurando viver completamente independentes, inclusive de Deus, até porque não foram ensinados a depender de um Ser superior. Muitos confiam mais no gatilho de sua metralhadora do que na esperança de depender dos olhares cuidadosos de um Deus, que até então é o “Deus dos brancos”. A história africana me faz lembrar a história de Israel, que sob os cuidados de Deus os conduziu ao encontro com a liberdade tão sonhada, a independência social e de acordo com o desejo do Criador a dependência de seus cuidados. É interessante observar o desfecho dessa história a partir do Egito. Escravos de uma nação poderosíssima e dominante, subjugados por 430 anos foram ensinados a depender completamente de seus dominadores (Ex. 12.40). Estes lhes davam as sobras, o que era dispensável e aos olhos de Israel era isso bom (Nm. 11.5). Ao mesmo tempo em que seu desejo por serem livres alimentava a esperança da promessa de Deus, suas almas se tornavam a cada dia mais cativa do sistema. (Ex. 2.23-25) Sempre foi o desejo de Deus que seus filhos fossem independentes, mas nem por isso deveriam deixar de depender de Deus. Até porque a verdadeira independência não nos separa de Deus, pois é consciente de que não é possível ser livre e independente sem aquele que dá todas as coisas, inclusive a vida (Is. 42.5). Desde a chamada de Abraão se percebe o tratamento no ensino da total dependência e dos cuidados de Deus (Gn. 12.1-6). Deus o tirou da terra de seus pais e o enviou pelo deserto sem lhe dar o roteiro para que aprendesse a depender plenamente da direção de Deus. O que dizer do sacrifício de Isaque, que o Senhor o preparou para ensinar a Abraão que suas provisões viriam sem dúvida da dispensa de Deus (Gn. 22.1). Da mesma forma ensinou a Isaque nos tempos de seca e fome a acreditar em suas promessas (Gn. 26.2). No mesmo processo ensinou a Jacó depender totalmente uma vez que este acreditava que seus talentos o pudessem ser suficiente para seu sucesso, conduzindo ao trabalho pesado e as dificuldades entretanto o levou a confiar e depender em tudo do Eterno. (Gn. 32.1,2) Na história de Israel Deus levou José às últimas consequências, lançado em uma cisterna, vendido para mercadores, levado a prisão inocentemente até se tornar governador do Egito. Tudo isso para aprender a depender dos cuidados de Deus. (Gn. 45.5-8) Na escravidão israelita a dependência aprendida era egípcia e Deus precisava usar alguém para ensinar a total dependência ao seu povo. Por isso levou Moisés ao deserto de Midiã, para ser provado e ensinado a confiar plenamente no Eterno. Quarenta anos de treinamento, ate que se tornasse um bom professor. (Ex. 3.1) Ao tirar Israel do Egito e conduzir a terra prometida, Deus mostrou todo seu poder realizando milagres maravilhosos (Ex. 7 ao 14). Se apresentou a Israel em uma teofania nunca antes vista, promovendo em seus corações a certeza de que poderiam sim depender de um Deus tão poderoso. (Ex. 19.2). Porém ao chegar no deserto de Parã (Nm. 12.16; 13.1) e enviar os espias a Canaã, o povo demonstrou que sua dependência ainda estava no Egito, não acreditavam que o Senhor os conduziria a vitória, mas que poderiam sofrer a perca, afinal estavam “sós”. Por essa razão Deus os fez caminhar no deserto durante 40 anos, na verdade a primeira impressão é de que seja apenas para punição, ao contrário, é para aprender a depender. (Nm 14.33,34) Perceba que a caminhada era em círculos no deserto, onde não se planta, a água é escassa, o sol e escaldante e a noite gelada. Em tudo o Eterno os fez depender. Aprenderam a depender do Senhor de dia, com uma grande nuvem que os fazia sombra. (Ex. 13.22) As noites eram aquecidos com o calor da coluna de fogo. Com fome não dormiam, pois possuíam o maná todos os dias. (Ex. 16.31-35) Tiravam águas fresca das rochas (Ex. 17.6), carnes eram trazidas pelo vento (Ex. 16.13; Nm. 11.31). Não há maior lição do que essa no quesito dependência. Porém Israel, após a morte de Moisés, Josué, e Juízes ate Samuel, desejou ser independente. Olhou para as outras nações e desejou ser como eles, deram um “impeachment” até ao Senhor e preferiram o governo independente de Saul. Desde então enfrenta as dificuldades, pelo simples fato de que independência é sinal de escravidão diante do achar que pode viver sem os cuidados de Deus.

Independência ou morte
bottom of page